SÓ AGORA?

SÓ AGORA?

 

Ralph J. Hofmann

 

Já não era sem tempo. Admitamos que na primeira campanha presidencial, Serra x  Lula o “coro dos obtusos”  manipulados pelo PT tinha a vantagem de ser oposição. Admitamos que o povo não entendesse a extensão das conquistas dos oito anos de FHC, já que a economia estava em crise em grande parte pela própria perspectiva de sermos governados por Lula.

Mas Serra, Alckmin e o próprio FHC pecaram ao longo dos anos seguintes. Serra foi um bom ministro, FHC soube estabilizar o país. Não deviam nada a ninguém. Até hoje Dilma toma café da manhã, almoça e janta com a comida que os oito anos de FHC puseram na mesa. Os estelionatários e ONGs também se banqueteiam com tudo que foi feito naqueles anos.

E apesar disto, talvez por ridícula lealdade socialista nunca ouvimos sequer um líder da oposição abertamente acusar o atual governo, enfrentar obras faraônicas como as do Rio São Francisco condenável sob todos os aspectos técnicos, apontar o dedo para os ladrões que entram e saem dos gabinetes da presidência ou exigir justiça para Celso Daniel.

Este papel parece ter sido reservado para o Deputado Bolsonaro, cuja franqueza contundente o torna, não raro, numa figura bufa.

Recentemente, de uma maneira morna observamos FHC polidamente, contidamente, rebater algumas acusações, mas não o vimos perder as estribeiras e soltar o verbo. Não é da natureza dele. Ele, como Serra parecem pensar. “Fiz a coisa certa. Mais dia menos dia a história me reconhecerá.”

Mas não é por aí. Se o país foi estabilizado pelos oito anos do PSDB, o que a história confirmará, a história também registrará que a oposição brasileira se omitiu do seu dever de ser oposição. Não encheu os pulmões e gritou.

Hoje José Serra registrou o que talvez seja a primeira crítica contundente à Presidente Dilma. Na sua condição de ex-exilado, preso por dois regimes autoritários mandou à lata de lixo as declarações da presidente.

Comparou os 53 anos em que uma só posição, uma só vontade de dois irmão estão em vigor na ilha com os Estados Unidos onde houve a possibilidade de contestação, a eleição de Jimmy Carter, um reformador das posições da guerra fria quase 20 anos antes que ela tivesse realmente acabado, com a eterna maxi-prisão cubana.

Serra foi um estadista hoje. Passou uma descompostura em Dilma, Patriota e Marco Aurélio Garcia.

E não se esqueçam. Não são apenas as posições políticas de apoio a um regime violento que chocam.

Cuba nunca pagou suas dívidas internacionais.  Jamais. As obras no porto de Mariel e outras vão beneficiar os empreiteiros e o governo cubano. A conta vai para o BNDES e dali para o tesouro e finalmente para você caro leitor que não receberá obras contra inundações, obras contra secas ou mesmo a troca da lâmpada de rua na frente de sua casa.

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