O futuro tem memória

O aprendizado começa com a percepção. Nem uma pessoa nem uma empresa sequer começarão a aprender sem antes terem visto algo de interesse no ambiente. É por isso que sobreviver e prosperar em um mundo volátil exige, acima de tudo, uma gerência sensível ao meio ambiente de sua empresa. No mínimo algum o líderes da empresa deveriam estar atentos e sensíveis ao mundo em que vivem, a ponto de até mesmo de desempenhar um papel ativo nesse mundo externo. Observadores internos são necessários em todas as empresas, mas eles pouco vêem das forças que irão afetar o futuro da empresa.

Uma gerência aberta e extrovertida, em contraste, perceberá muito antes qualquer coisa que esteja acontecendo do lado de fora. Somente após verificar que algo está prestes a mudar (ou que já começou a mudar) fora da empresa é que a gerência estará pronta para lidar com os efeitos dessa mudança. Muitos desses efeitos residirão no futuro e serão incertos. No desejo de “saber” e diminuir a incerteza, muitos gerentes dedicam tempo excessivo a uma pergunta que não tem grande utilidade: o que acontecerá conosco?

Mas os gerentes que perceberem a mudança desde cedo deveriam dedicar mais tempo a uma pergunta muito mais útil: o que faremos se isso ou aquilo acontecer? Somente essa pergunta poderá levar os gerentes a fazer mudanças dentro da empresa, as quais permitirão que ela sobreviva e prospere nesse novo mundo. Com efeito, conforme demonstra a experiência, pode ser necessária uma mudança fundamental e penosa, possivelmente incluindo até mesmo a extinção de um negócio principal da empresa. Freqüentemente, alguém dentro da empresa identificava a iminência da crise, porém não como uma crise, mas sim como uma nova oportunidade, uma rota alternativa para o crescimento e a rentabilidade da empresa.