Querido Papai Noel
Por Doca Ramos Mello
Aqui, Noelzinho, meu anjo, não vá se esquecer de mim.
O senhor sabe que estou meio temerosa de que, na hora da saída definitiva (Deus existe!), o Mister M do Brasil seja bem capaz de engendrar alguma ziquizira de porte e atirar um ebó gigante sobre nós, os 44% inconformados, anestesiar os crentes com uma cortina de fumaça de resultados diante nossos olhos cansados e assim, sem mais nem ‘menas’, criar o cargo de Presidente de Fato Vitalício com Poderes Plenos a Fundo Perdido das Ilusões Tupiniquins, o Cara não é fácil, aquilo encarnou mesmo no povo, é um karma! E essa toada de despedida aqui, despedida ali, não está me cheirando bem, até livro – gente, ele detesta livros! – o filho de Dona Lindu “escreveu”. Disse que foi para registrar o que a mídia sempre maldosa não quis noticiar de bom, excelente, magnífico e maravilhoso em seu governo, incluindo ali pedras fundamentais, projetos e obras ainda não licitadas, o sujeito é um bambambã.
Às vezes, acordo no meio da noite suando em bicas porque tenho pesadelos com um baixinho feio e gutural, de cujas barbas brota uma praga negra para me condenar a ouvir, pelo resto dos meus dias, a ladainha: “Nunca antes nesse (sic) país um Presidente passou sua vida montado no cangote do povo, olha eu aquiiiii, acredito de que vou desmentir o mensalão, blá, blá, blá, eu sou a opinião popular, eu sou o Cristo, euuuuuuuuuuuuuuu”. Minha Santa Genoveva, meu Menino Jesus Sagrado, se apiedem de mim, me acudam!
Tenho outros pedidos, além desse primordial.
Quero que o senhor mantenha o aumento singelo do salário dos políticos porque esse pessoal faz muito pelo país, merece, merece, o senhor não me descuide disso, afinal são uns trocadinhos, dez réis de mel coado que não farão a menor falta p’ra ninguém. Essa Bolsa Pouca-Vergonha é fundamental para que nossos homens públicos tenham mais oportunidades de meter a mão nos bolsos da nação, enriqueçam com mais propriedade e, um dia, quem sabe Deus ajuda e cada um deles ganha um Maranhão de presente, né não? Amém.
Em todo caso, também espero que o senhor faça um esforço para que Ongs e institutos fantasmas continuem a jorrar dos chãos nacionais, como forma de rechear um pouquinho mais as contas bancárias dos parlamentares. Emendas, Papai Noel, emendas aos quilos. Um dia, descobertas as mutretas pela mídia desgraçada e faladeira, que eles renunciem aos cargos e pronto: renunciou, tá novo. Nada de processo, cadeia, essas mazelas que só fazem transformar bandidos sociais e irreverentes, reles ladrões de pinga em traficantes ou terroristas – o senhor viu no que deu colocar assaltantes de beira de estrada junto com gente do PCC nas mesmas celas, portanto, deixemos os parlamentares viver de terno e gravata em ambientes de ar-condicionado. Autoridade merece respeito.
Eu ia até pedir que o senhor me desse um mimo a mais, inocentando o Maluf das acusações relativas a uns frangos superfaturados (vê se pode uma coisa dessa, um empresário como ele se meter a roubar galinhas, ô povo sem imaginação...), mas a Justiça se incumbiu de entregar o pacote bem antes do Natal, como forma de o marido de Dona Sílvia poder esfregar sua inocência límpida na cara de seus detratores e, de quebra, voltar ao campo político, onde é mais um entre centenas, quiçá milhares de ZéDirceus – ele nunca saiu dali, é um puro. Eu disse ‘puro’, não me entendam mal.
No mais, apesar de não ter votado em V. Exa. Camarada Rousseff, o senhor sabe que me sinto agraciada só pelo fato de ela saber ler – é um ganho e tanto na Presidência, aleluia! E como ando apostando que a reverência ora exigida tenda a declinar sutilmente diante de seu geninho terrorista (explode, Lady Dil!), com o passar dos dias, creio firmemente que depois de ela rebocar SPM (Socialite Primeira Mommy) e Titia Arilda para o Palácio, comece a Operação Desencarna Cabra. Ui, tomara!
Bem, volto só em 2011. Desejo a todos um Natal Feliz e um Ano-Novo muito bom, afinal Tiririca chegou com sorte à Câmara e Ideli Salvatti será elevada à ministra – não é nada, não é nada, melhor que tsunami, terremoto, maremoto e demais acidentes da natureza. É preciso ver o lado bom da vida.
