Comida Austro-Húngara

          Hoje trago uma proposta de almoço completo, com origens no Império Austro-Húngaro. Os “knodel” nasceram na Boêmia, nos imensos campos de cereais. O goulash, prato típico da Hungria, tem a páprica como tempero principal.  Elaé o condimento central de muitos pratos austro-húngaros.

          O Império Austro-Húngaro (1867 – 1918) sucedeu aoImpério Habsburgo(Austríaco), como resultado de um pacto entre as nobrezas austríaca e húngara, e foi dissolvido após a derrota na Primeira Guerra Mundial, conforme as exigências do Tratado de Versalhes. Todavia, a fusão temporária das culturas resultou em benefícios culturais e culinários recíprocos.

         Enquanto a comida húngara, cheia de páprica, espalhou-se naquele novo Império, que ainda congregava partes da Polônia e da hoje República Tcheca, também a doçaria vienense tratou de difundir o que havia de melhor (e isso me lembra Apfelstrudel e Sachertorte... hummmm)

        O autêntico goulash (significando, em húngaro, “comida de vaqueiros”) era preparado pelos pastores húngaros com carne de vaca cozida, cebolas, banhade porco, pimentãosale água. Era uma espécie de sopa de carne condimentada. Com o tempo, os húngaros vieram a tratar o cultivo e a preservação dos pimentões como uma arte especial. Aperfeiçoaram a secagem deste produto e criaram o pimentão em pó, ou seja, a páprica. Doce ou picante, não importa, ela valoriza qualquer prato.

         Hoje trago uma receita básica de “goulash”. Atente para o fato de que ele não recebe uma só colherada de massa de tomate, purê de tomate, ou tomate em qualquer forma. Nada contra o tomate, estrela da culinária italiana, mas na Hungria quem manda é Sua Excelência, o pimentão vermelho.

          Pegamos um quilo de alcatra ou outra carne e a cortamos em cubinhos. Refogamos numa panela com óleo, acrescentamos sal , uma cebola média picada, um dente de alho laminado e duas colheres de sopa bem cheias de páprica doce. Adicionamos um copo de água e deixamos cozinhar. Após uns 30 minutos de cozimento, adicionando áqua suficiente pra fazer caldo sempre que estiver por secar, se a carne estiver macia, juntamos uma colher de sopa de amido de milho dissolvida em um pouco de água e um punhado de salsa e cebolinha verde e molho de pimenta (opcional). Mais um minuto no fogo e está pronto.

        O “knodel” que trago hoje é um pouco diferente das tradicionais bolotas macias de batata ou de pão. Vamos aproveitar todas as sobras de pão da casa e fazer um prato realmente econômico, gostoso e original. O nome desta preparação é “serviettenknödel” e trata-se de um rolo de massa de pão e temperos cozida na água. Fica delicioso, eu garanto.

        Precisamos de seis pãezinhos de 50 g cada, ou de 300 g de pão amanhecido cortado em cubinhos, 125 ml de leite, 3 ovos, 1 cebola picada, 50 g de bacon em cubinhos, 150 g de manteiga, salsa e cebolinha, sal e uma colher de farinha de trigo.  O preparo é fácil. Batemos os ovos com o leite e despejamos sobre os cubinhos de pão. Batemos a manteiga à temperatura ambiente e misturamos à salsa e cebolinha, despejando sobre o pão.

         Numa frigideira, colocamos duas colheres de óleo e fritamos o bacon e a cebola. Misturamos ao pão, colocamos um pouco de sal (lembre-se que o bacon é salgado) e uma colher de farinha.  Arrumamos um pano de prato bem limpo sobre a bancada. Espalhamos um pouco de manteiga nele, polvilhamos com farinha de trigo e colocamos ali a massa, dando-lhe um formato de salsicha. Amarramos bem as pontas. Fervemos bastante água numa panela grande e cozinhamos ali o “knodel” por 40 minutos. Retiramos, deixamos esfriar, cortamos em fatias de 1 cm e servimos com o “goulash”.